Desde o triunfo da Revolução Cubana em janeiro de 1959, Cuba sofre com a agressão direta do imperialismo estadunidense. Essas agressões vão desde a imposição de um criminoso bloqueio comercial, político e econômico – que perdura até os dias de hoje – até uma série de sabotagens, ataques terroristas e tentativas de intervenção em sua política interna, entre muitas outras formas de ataques covardes, diretos e indiretos.
A política agressiva dos Estados Unidos contra Cuba sempre foi severa. O citado bloqueio completa mais de 60 anos ininterruptos, causando danos incalculáveis à economia da ilha caribenha e, consequentemente, à vida de todo o povo cubano. É possível perceber a dimensão do prejuízo que os EUA impõem a Cuba com o bloqueio. Ano após ano, Cuba consegue uma esmagadora maioria de votos a favor da derrubada do bloqueio na Assembleia Geral da ONU, mas a medida não só não arrefece como se intensifica.
Como já explicitado, as agressões do imperialismo ocorrem em todos os campos. Uma série de medidas soma-se ao criminoso bloqueio, como a especulação financeira. No momento atual, o governo revolucionário cubano tem denunciado agentes internos e externos, comprovadamente ligados ao imperialismo, que especulam com o dólar para desvalorizar o peso cubano (CUP), aumentando as dificuldades econômicas.
E assim se completam mais de seis décadas de agressão, terrorismo e sabotagem… Aqueles que pensam que os atos terroristas contra Cuba são coisa do passado estão enganados. Praticam-se terrorismo financeiro, bélico, biológico – enfim, em todas as esferas possíveis, com atuação direta dos Estados Unidos.
Mas, como, ainda assim, a Revolução Cubana permanece de pé? O que garante o sucesso de sua resistência? Sem dúvida, o que permite a Cuba seguir sua marcha na construção do socialismo é um conjunto de fatores, entre os quais a coragem, a ousadia e a capacidade criativa de seu povo – e, de forma destacada, a garantia, pelo Partido Comunista de Cuba, da participação ativa e consciente do povo nas decisões.
Lênin uma vez disse que o socialismo sem a consciência do povo é impossível. Este preceito é seguido de forma radical pela Revolução Cubana. Fidel Castro afirmou em um de seus discursos dirigidos ao povo cubano: “”Eu lhes digo: leiam, para que raciocinem; estudem, para que tenham suas próprias ideias. Não sigam ninguém cegamente. Sejam revolucionários, sejam comunistas, mas não porque outros o são, e sim porque vocês, com seu estudo e com sua razão, tenham chegado à conclusão de que devem sê-lo.””.
Na mesma lógica, e seguindo o preceito leninista destacado na frase de Gramsci, “A verdade é sempre revolucionária” vemos uma máxima levada a sério pela Revolução Cubana. Diferentemente do que prega a burguesia sobre o governo cubano, neste país os problemas e dificuldades não são negados pelas autoridades. Muito pelo contrário: são divulgados nos jornais, nos canais de televisão, em manifestações públicas e nas inúmeras instituições. Fala-se abertamente sobre eles e de maneira profunda, apresentando suas causas e as medidas tomadas para enfrentá-los. E a opinião das massas sobre estas medidas tem peso determinante para sua execução ou não.
Cada manifestação política é um espaço riquíssimo de formação. Muito famosos são os longos discursos do Comandante-em-Chefe, Fidel Castro. Sim, eram longos e assistidos por milhões de pessoas em todo o território da ilha. Fidel falava; o povo escutava. Eram discursos formativos, aulas de marxismo-leninismo, de luta, resistência, soberania, solidariedade e anti-imperialismo… Enfim, eram parte importante da formação política e ideológica da consciência das massas cubanas. E hoje, quem visita a ilha caribenha sempre destaca o quanto todo cubano entende de política, é bem informado, tem opinião e sabe expressá-la. Isso não é por acaso.
E mesmo com a morte física do Comandante-em-Chefe, a participação massiva nos atos continua. Este ano, por exemplo, a manifestação do Primeiro de Maio, Dia do Trabalhador, contou com a participação de mais de 5 milhões de cubanos em todo território de Cuba, ou seja, mais de 50% da população que vive na Maior das Antilhas foi às ruas.
E assim é! O povo é convidado e convocado a participar ativamente das decisões da revolução, a dar sua opinião. Há um conjunto de estruturas que proporciona isso decididamente. Essas estruturas vão desde os Comitês de Defesa da Revolução (CDR) – compostos pela população dos bairros, havendo um em cada quarteirão –, passando pela Central de Trabalhadores de Cuba (CTC) em conjunto com os sindicatos, pela Federação das Mulheres Cubanas (FMC), pela Federação Estudantil Universitária (FEU), pela Federação Estudantil do Ensino Médio (FEM) e inclusive pela Organização de Pioneiros José Martí (OPJM) – onde as crianças se organizam, se reúnem, realizam assembleias e discutem seus direitos e deveres, propondo e reivindicando –, entre inúmeras outras. Todas elas funcionam ativamente, não só no papel, e têm assento nas comissões de discussão permanentes da sociedade cubana, incluindo as crianças.
Sem dúvida, a consciência elevada pela atuação direta da Revolução garante o sucesso da resistência cubana e também a manutenção do socialismo. Isso, somado à cultura de luta e resistência desse povo, forjada ao longo de sua história e potencializada pela atuação da Revolução Socialista.
Enfim, as dificuldades impostas pelo imperialismo à Revolução Cubana e ao seu povo são muitas, visíveis e extremamente perceptíveis. Mas negar as dificuldades enfrentadas pelo imperialismo em seu empenho de derrotar esta Revolução e este povo é negar o óbvio. Após quase sete décadas de todo tipo de ataque agressivo da maior potência capitalista do mundo, o imperialismo não logrou sucesso, e a Revolução segue de pé. Mesmo com a queda do bloco socialista, os EUA não conseguiram derrotar a Revolução Cubana e os cubanos.
A nós, comunistas brasileiros, cabe não esquecer os ensinamentos de Lênin quando ele vinculava o triunfo da Revolução Russa ao avanço da revolução internacional. A continuidade da marcha heroica da Revolução Cubana não depende unicamente da resistência dos cubanos. É claro que há muitas formas de solidariedade a Cuba, e todas são imprescindíveis, mas nenhuma delas é mais importante do que a luta pela revolução em nosso próprio país. Enquanto Cuba for uma ilha de socialismo na América, suas dificuldades serão imensas, e por isso sua conquista é ainda mais admirável. Nós precisamos fazer a nossa revolução, pelo nosso povo, pelo povo cubano e pelo proletariado de todo o mundo.

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