O que representam as candidaturas da Esquerda Revolucionária

A principal ferramenta que contribui para a formação tática de uma organização política é a análise concreta da realidade concreta, ou seja, observar a conjuntura com as informações do momento e fazer inferências. Para analisar as múltiplas candidaturas, começaremos pela conjuntura.

 

A conjuntura nacional, assim como a internacional, é de um recuo das forças revolucionárias, com o avanço da extrema direita, o ataque aos direitos dos trabalhadores e o mundo caminhando para uma guerra generalizada. Observa-se o aumento das intervenções do imperialismo, que prendeu Maduro na Venezuela e tutelou seu petróleo, tomou o canal do Panamá, enquadrou o presidente da Colômbia, matou boa parte dos representantes do povo persa e não para de ameaçar que Cuba será a próxima. A economia, desde a “marolinha” de 2008, vive em turbulência e, com a guerra no Oriente Médio, o petróleo escala a preços cada vez mais altos. O proletariado do mundo todo sofrerá as consequências desse cenário de crise e guerra.

 

No Brasil, Lula caminha para uma derrota depois de um governo de amarras com a burguesia. Emplacou diversas privatizações com as PPPs (Parcerias Público-Privadas), além do arcabouço fiscal de Haddad e, em paralelo, o pente-fino nos programas sociais. É um governo que não propõe enfrentamento com a burguesia e que desarma o proletariado com a ideia da coexistência pacífica entre as classes. Os sindicatos não conseguem mobilizar para grandes greves — como exemplo, a reforma trabalhista do governo Temer passou e, no dia seguinte, o povo foi trabalhar.

 

Os conflitos no Judiciário evidenciam a fragilidade para manter o Estado burguês, e a putrefação da democracia burguesa surge como sintoma da crise. Neste momento, quem se apresenta como antissistema e está na ofensiva é a extrema direita, na candidatura de Flávio Bolsonaro. Trump mostrou que o pior pode ser ainda pior, e isso ressoa no Brasil. Mesmo tentando ser mais ameno no discurso, Flávio Bolsonaro carrega em seu pleito o mesmo estrago que Milei promoveu e ainda promove na Argentina.

 

Diante desse quadro desfavorável, existem sim elementos positivos. As diversas chapas da esquerda radical — como PCB, PSTU, PCO, UP e outras — são uma demonstração de descontentamento com a frente única que normalmente o PCdoB compactua, que une todos contra o fascismo, mas que a história mostra que desarma o proletariado.

 

O povo brasileiro é vítima constante da conciliação de classe, e boa parte dela foi levada adiante pela frente única, que destruiu o movimento sindical, tornou a esquerda parte do sistema capitalista, removeu todo e qualquer ímpeto da violência revolucionária e impôs um pacifismo que desarma o proletariado — que não é paz para o proletariado, mas sim para a burguesia.

 

Contudo, do lado positivo, temos seu lado contraditório: as diversas chapas e organizações revolucionárias demonstram a divisão do movimento comunista, que não consegue influenciar na luta de classes, que por muitas vezes se prende a dogmatismos e não consegue ampliar o diálogo com quem quer fazer a revolução. O marxismo é um guia para a revolução. As análises diferentes e contraditórias, as antíteses, fazem parte da construção da síntese. Dito isso, os revolucionários, se quiserem, com seu ímpeto, fazer algo maior, terão que conversar, discordar, com o intuito de construir uma frente diferente das propostas por PT, PSOL e PCdoB — uma frente revolucionária. Caso contrário, farão o mesmo que fazem a cada dois anos, ficarão com suas birras de DCE e deixarão as tarefas de construção para as gerações futuras.

 

Celebramos as diversas organizações revolucionárias e sabemos que cada uma delas carrega o ímpeto da luta pelo socialismo. No entanto, para alcançar os fins e interesses imediatos da classe operária no momento presente e representar, simultaneamente, o futuro do movimento — a unidade dos revolucionários é imprescindível.

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