Lula como problema ou como solução?

Uma coisa é e não é ao mesmo tempo. Isso para muitos é uma blasfêmia que vai contra o conhecimento científico, um absurdo, um desatino. O pensamento mecânico ou metafísico que procura isolar determinada realidade e coroar ou congelar determinado aspecto dela, podendo inclusive ser correto em determinado momento, sem levar em consideração as suas relações e modificações logo se distancia de uma análise que vê a realidade em movimento, em luta dos contrários, de um eterno devir. No caso do título, Lula como problema ou como solução, o que é que tem a ver tudo isso? Tudo, porque como políticos, se não compreendermos o movimento dialético, deixaremos de compreender os novos elementos que vão se acumulado e outros que vão se perdendo, deixando de sermos consequente nas ações.

Na luta de classes, esta análise é ainda mais vital pelo simples fato de que a classe exploradora procura cobrir sob todas as mistificações a aproximação com a verdade. A ilusão é pensada e colocada em ação para iludir, faz da aparência a sua essência imutável. Essa é a concepção que mantém a burguesia por mais tempo que deveria no poder. Para os revolucionários, Lula é parte da solução no que tange à derrota da extrema direita de Bolsonaro no plano eleitoral. No entanto, sem transformar isso em problema para a classe exploradora, a solução deixa de ser o problema, a causa ou a essência pela qual lutamos.

A história do século passado é esclarecedora sobre isso. O nazifascismo foi derrotado sob uma frente que misturava sem o menor constrangimento inimigos do povo, fascistas infiltrados, imperialistas e direitistas de toda a ordem, ou seja, a conciliação de classe que ofuscava a consciência do povo, dos comunistas, socialistas, operários, que pregava TODOS contra o inimigo comum, o nazifascismo, apagou o verdadeiro conteúdo de classe, selando a verdadeira paz dos cemitérios. Na luta contra o nazifascismo, a dialética revolucionária foi trocada pela metafísica burguesa e a consciência do antagonismo de classe se deteriorou violentamente.

Na Primeira Guerra Mundial, a Segunda Internacional foi derrotada pela Terceira Internacional Leninista por seu Chauvinismo oportunista, e a Terceira Internacional também foi tomada pela Social Democracia na Segunda Guerra Mundial, que se rendeu à perspectiva da Frente Ampla com o imperialismo, de todos contra o nazifascismo. A Terceira Internacional Socialista, ao isolar o problema do nazifascismo como único, rebaixou a consciência de classe e a luta de classe foi ocupada pela conciliação. Parte da burguesia imperialista abarcou o movimento dito democrático e aprofundou a dominação e o esfacelamento do socialismo e do movimento revolucionário internacional.

Hoje essa luta também é esclarecedora no caso da guerra entre Rússia e Ucrânia. A perspectiva imperialista é de criar uma consciência internacional de todos contra a Rússia e esmagar qualquer um que tente levantar a bandeira oposta.  Nesse caso concreto seria no mínimo estarrecedor algum país socialista apoiar a Ucrânia, dado os elementos que temos. Já pensou, China, Cuba, Vietnã, Coreia do Norte ao lado da Otan, da Ucrânia? E partidos revolucionários influentes no mundo defendendo a Otan ou a Ucrânia como bucha de canhão para os EUA tentar sair da crise e manter a sua hegemonia no mundo, abriria uma nova celeuma no movimento revolucionário internacional, pelo “simples” fato de apagar, dentro de determinada luta, os contornos da luta de classe.

Saudamos a posição avançada e consequente do movimento revolucionário internacional que soube se unir contra um inimigo comum, o imperialismo e a Otan. No entanto, aqui no Brasil, o movimento revolucionário ainda não adquiriu visibilidade. É por isso que a influência decisiva na luta de classes é a conciliação, a qual está sempre a postos para dirimir qualquer perspectiva de uma luta mais consequente do proletariado. Por isso Lula como problema ou como solução cabe muito bem nesta batalha eleitoral que temos pela frente, pois sem tornar-se um problema para a burguesia brasileira e o imperialismo, torna-se presa dessas forças que Getúlio Vargas chamava de ocultas. Além disso, ainda reabilita golpistas tornando-os grandes defensores da Democracia.

Toda a confusão da esquerda na luta de classes, além da influência histórica da Social Democracia, o rompimento desta concepção não avança pelo fato de que a política que pregam não se chama tomada do poder político e sim dedicação e esforço para melhorar o mundo burguês, do Capital.  Retiram do povo o poder de decisão, porque no sistema que defendem quem decide 99% de tudo o que acontece em termos econômicos, é a burguesia, os capitalistas, e a esquerda só medeia, quando está no poder do Estado, a exploração, a retirada da mais valia adocicada.

Por isso, mais do que nunca queremos um Lula que seja influenciado pelo espírito de desejos de mudanças que o fez sobreviver à fome e à miséria, que superou o limite economicista sindical e passou à construção de um partido, que aprofunde o desejo soberano como já tem feito relativamente no seus dois primeiros mandatos, mas se atente que a Soberania só avança em nosso país quando as forças das armas, do monopólio das informações e da justiça não estejam sob o poder político externo (dos monopólios e do imperialismo) e da burguesia brasileira entreguista, mas do povo. Que não fique a implorar medidas mitigadas e limitadas ao povo e que saiba convocá-lo para ir às ruas além das urnas para defender o Brasil popular soberano.

Esse é o Lula que defendemos, que além de derrotar nas urnas o genocida e a extrema direita, seja um Lula problema e não solução. A solução é Bolsonaro, Tebet, Ciro, etc. Nós devemos ser o problema, só assim avançaremos, pois quem não é problema para o sistema é seu aliado.

Fora Bolsonaro, Mourão e suas corjas.

Por um projeto político soberano para o nosso povo.

Abaixo o fascismo no mundo e a classe que lhe dá guarida (burguesia imperialista).

Lula Presidente.

 

 

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