Bolívia em Chamas: Protestos Oceânicos Abalam o Governo de Rodrigo Paz

Bolívia em Chamas: Protestos Oceânicos Abalam o Governo de Rodrigo Paz

Após mais de duas décadas de governos tímidamente reformistas e de colaboração, os últimos acontecimentos na Bolívia colocam o atual governo de “centro-direita”, vende-pátria e antipopular de Rodrigo Paz nas cordas.

Desde o início de maio, intensos protestos de dimensões oceânicas – e cada vez mais em uma espiral crescente – sacodem o país do altiplano andino.

Quem está por trás da mobilização?

Uma articulação impulsionada pela Central Operária Boliviana (COB), dentre outros setores sindicais, movimentos indigenistas, cocaleros e movimentos populares, se mobiliza. Após um período de inflação galopante, arrocho salarial e deterioração das condições de vida do povo boliviano – que levou a crise social às alturas – e da implementação de leis draconianas que afetam os setores populares, médios, operários, indígenas e camponeses cocaleros, a capital La Paz se vê sitiada.

As exigências das ruas

Os protestos exigem:

  • A imediata renúncia do presidente Rodrigo Paz;

  • A revogação de um conjunto de leis antipovo e de lesa-pátria, principalmente a Lei de Terras.

Uma crise sem desfecho à vista

Distante ainda de um desenlace, os protestos só crescem em volume e intensidade. Embora ainda sejam incertos os resultados e as consequências dessa caudalosa movimentação popular, sem dúvida ela irá operar uma inflexão maiúscula na política boliviana.

A crise atual alterará a correlação de forças e deslocará atores políticos díspares em seu torvelinho, mudando, talvez na substância e na fisionomia, aqueles que atuam naquele país.

A Bolívia – parte da constelação de países cuja imensidão de riquezas e localização estratégica é objeto da cobiça e da sanha do imperialismo estadunidense – está no centro dos interesses geoeconômicos e estratégicos das grandes potências.

A herança do MAS

O atual governo de Rodrigo Paz – um aglomerado de direita e centro-direita – é, contudo, também resultante dos governos pseudorreformistas e colaboracionistas do MAS (Movimento ao Socialismo) e de sua desastrosa política, cujo drama boliviano é uma ferida aberta.

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