Enfrentamos o momento mais decisivo das eleições brasileiras: o segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro. E aqui não há espaço para ingenuidade nem para sectarismo.
A dialética, método que enxerga a realidade em movimento e suas contradições, nos obriga a fazer uma análise da conjuntura atual do segundo turno das eleições no Brasil: votaremos em Lula no segundo turno, mesmo com todas as suas contradições, porque a alternativa representada pelo bolsonarismo é um mal muito maior para a classe trabalhadora.
Lula é um fenômeno político que concentra contradições: é o líder popular que governa para a burguesia, o anti-imperialista que se curva aos EUA, o político que dialoga com os movimentos populares, mas também com o Centrão e o mercado financeiro. Criticamos tudo isso. Mas o que está do outro lado?
Flávio Bolsonaro representa a continuidade do projeto mais entreguista e alinhado aos EUA que o Brasil já viu. É o herdeiro direto de um governo que tentou um golpe de Estado em 8 de janeiro de 2023. Matou milhares na pandemia por negacionismo e omissão criminosa. Atacou a classe trabalhadora com reformas que retiraram direitos. Entregou a soberania nacional aos interesses do imperialismo.
O bolsonarismo nunca respondeu por seus reais crimes: o negacionismo de seu governo, que matou centenas de milhares de pessoas na pandemia, e os ataques à classe trabalhadora. Muito pelo contrário, os bolsonaristas seguem impunes por esses crimes e seguem se reorganizando.
Diante disso, a dialética nos ensina: não se trata de escolher o “menos pior” por amor, mas de reconhecer qual das opções permite que a classe trabalhadora sobreviva para continuar a lutar. É preciso entender, também, que, com o cenário de intervenção direta dos EUA na América Latina e com a derrota avassaladora da esquerda no parlamento no primeiro turno, não há discussão sobre qual candidatura promove maior problema para a burguesia.
A eleição de Trump nos EUA já provou ao mundo que o pior pode ser muito pior. Sabemos das limitações do Lula, assim como das limitações das eleições no sistema capitalista, mas abster-se dessa trincheira de luta neste momento é declarar apoio direto ao projeto Trump/Flávio de fascismo e entrega do país. A história vai cobrar daqueles que hoje se dizem marxistas, mas afirmam que Lula e Flávio são a mesma coisa e não se posicionam neste processo — seja por ilusões de uma superioridade intelectual desconectada da materialidade, seja por ilusões iguais às de alguns setores populares que pensam que Flávio é antissistema e acham que vão captar militantes com a extrema-direita. Dizem-se marxistas, mas estão aí abraçados com a extrema-direita. Já dissemos no texto anterior: o fascismo é a tropa de choque da burguesia. A história já nos mostrou: quando o mesmo discurso que impera hoje nos EUA de Trump e no bolsonarismo de Flávio no Brasil chegou ao poder na Alemanha, o mundo caminhou para a Segunda Guerra. Hoje, caminhamos a passos largos para a Terceira.
Votar em Lula não significa abandonar a crítica. Significa criar problema para a burguesia e para o Congresso mais reacionário já eleito no Brasil. Votar em Lula é derrotar o bolsonarismo nas urnas para continuar a luta nas ruas.
– Fora Flávio!
– Bora Lula 13!
– Bora derrotar o bolsonarismo nas urnas e continuar a luta nas ruas.
Assista a live da tribuna sobre o voto em Lula clicando aqui

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