Análise Sobre o Processo Eleitoral no Brasil

Vitória nas ruas e nas urnas do povo brasileiro diante da crise e do crescimento da extrema direita abre-se uma nova janela histórica no país, de avanços e retrocessos, do Socialismo ou barbárie.

Nas ruas não tem ganhar na narrativa, na retórica, tem massa ou não. Até pode insuflar alguns milhares a mais, mas é preciso ter também na rua alguns milhares. E quando é milhões, aí a coisa é mais difícil. Em São Paulo, por duas vezes nesse segundo turno das eleições presidenciais, o número de apoiadores à candidatura de Lula passou da casa de um milhão. A esta altura, mesmo que as urnas não tivessem acompanhado o êxito das ruas, já estávamos bem posicionados para a luta. Com a vitória também nas urnas, não há como não dizer: Viva o povo brasileiro.

As ruas e depois as urnas demonstraram tão progressista é o povo brasileiro. E não foram as beneficies economicistas que alteraram o jogo no segundo turno, grande parte delas já havia sido contemplada no primeiro turno. O que levou o povo às ruas e a ir votar em massa foi a defesa da Soberania, da luta contra o imperialismo (mesmo que esteja codificado no Trumpismo), em uma demonstração de que o Brasil não quer ser quintal de ninguém. Quando tudo convergia para o lado de lá, o povo entrou em cena dando uma demonstração de que vai ter luta.

Essa é a maior mensagem que o povo brasileiro deu nas ruas e nas urnas: Vai ter luta. E é isso que deve ter curso livre para retomar as batalhas de classe em nosso País. Preparar o povo para as lutas que se avizinham e que se aprofundam, pois:

  1. O imperialismo continua envolto na maior crise de sua história e luta hoje abertamente não só para impedir o desenvolvimento de qualquer nação (que sempre fez), mas para fazer retrocederem politicamente, tornando-se nações colônias. Países antes tidos como em desenvolvimento, um a um estão sendo minados pelo imperialismo ianque principalmente, através de intervenções e guerras abertas. Essa é a ordem do dia.

  2. Os investimentos em armamentos triplicam e, em muitos casos, quadruplicam, principalmente em países imperialistas, numa clara tentativa de sair da crise via a indústria da guerra. A tendência desses países também é a diminuição dos investimentos Sociais, sendo que as ruas tornaram-se lugar decisivo para a mobilização popular. Esses mesmos países imperialistas também, aos poucos, vão recrudescendo as liberdades internas. O Fascismo ganha força na extrema direita que cada vez mais aberta e popular aos governos ditos democráticos da Europa, sendo que os demais países burgueses vão sendo enquadrados um a um nesse caminho.

  3. Está claro que os povos já não querem viver como antes, sendo que a luta popular ganha novos contornos diante da crise cada vez mais crônica da burguesia internacional, do imperialismo. Desde 2008 (há 18 anos, portanto) a crise ainda não foi superada, bem como se aprofunda. As tentativas de desestabilização da Rússia, que tem mais de uma década (5 só de guerra aberta), não prosperaram como o esperado e isso já é um saldo contra o imperialismo, que pretende seguir dominando o mundo sem inimigos à altura.

  4. Outro ingrediente nessa crise e seu aprofundamento é que a China, inimiga número 1 dos EUA, segue em crescimento, produção e construindo uma tecnologia de guerra de defesa que a cada dia preocupa mais os EUA. A terceira guerra mundial podemos dizer que já começou com a tentativa da OTAN, encoberta pela Ucrânia, de liderar ataques contra a Rússia. Porém, somente será mundial quando esses ataques se tornarem abertos contra a China. Não aconteceu ainda porque os EUA, como maior país imperialista do planeta, ainda joga com outras armas, isto é, inviabilizar aliados da China.

  5. Na América Latina, os EUA vinham fazendo a festa com a intervenção militar na Venezuela e via as urnas nos outros países. Porém, no Brasil o tiro saiu pela culatra. Se dimensionarmos essa vitória no campo da luta anti-imperialista e a posição estratégica que o Brasil representa na América e no mundo, foi uma grande derrota para o Norte. A presidente do México chegou a dizer que a vitória do povo brasileiro é “um sopro de ar fresco”.

  6. A vitória eleitoral de Lula agora tem diferença daquela de 4 anos atrás. Naquela, a direita tomou o processo eleitoral em suas mãos para derrotar o bolsonarismo. Lula serviu à causa da direita. Nesses 4 (quatro) anos que se passaram, a luta entre a direita e a extrema direita foi acirrada. A esquerda só olhou da janela. Nessas eleições, a direita, pós o resultado do primeiro turno, passou nitidamente a acenar e negociar com a chapa do Bozo. Acerto da burguesia sob o domínio da extrema direita. Calculavam que o resultado seria o mesmo que aconteceu em toda a América Latina.

  7. A reação do povo diante de ficar de joelhos ao bolsonarismo, aos ianques e, porque não, às intervenções fascistas, levou a uma virada histórica. O mais importante disso tudo é que a luta entre a direita e a extrema direita reacendeu. Xandão, que já estava arrumando as malas, deu meia-volta, volver, e entrou no cenário triunfante.

  8. Por isso o cenário atual é diferente do anterior, isto é, diferente daquele de 2022. Naquele momento a direita era protagonista e Lula se submeteu. Além disso, as forças das ruas se omitiram de participar e elevar a luta a um novo patamar, também se submeteram à direita. As centrais sindicais de esquerda nem sequer propunham realizar manifestações contra as Reformas trabalhistas e previdenciárias. Reforma agrária antilatifundiária nem sequer foi levantada, pelo contrário, seguiu apoio ao Agro e o investimento à agricultura familiar. O trabalhador rural seguiu mendigando.

  9. Agora não só o quadro internacional se aprofundou, a crise cresceu, a guerra tomou novas proporções, como Lula não dependeu mais tanto da direita, pelo contrário, logo após o primeiro turno, Temer (pai político de Xandão) dava total apoio ao Bozo; Gilmar Mendes engavetou o processo que condenava o vice do Bozo por estupro de menor, e Toffoli abriu voto para o bolsonarista Ruas se eleger no primeiro turno do Rio de Janeiro, e por aí vai. Lula, no segundo turno, assumiu o processo e fez o caminho que ele conhece, de radicalização e mobilização, porém só o faz durante o processo eleitoral, isto é, no desespero se agarra ao povo.

  10. Sabemos da importância hoje das redes Sociais, e sem dúvida tiveram papel muito importante, principalmente em ter um centro de informação, formando um verdadeiro exército na propaganda, desde artistas, atores e pessoas comuns pelo Fora Bozo. Mas foi eficiente principalmente em colocar a Meta na defensiva, isto é, a imprensa de propaganda imperialista teve que dar explicações porque anulava as propagandas do Lula e só deixava do Bozo. Vimos que a IA também tem lado.

  11. Porém, é nas ruas que aconteceu a virada, deu ânimo novo para aqueles que não queriam votar e para aqueles já engajados, puderam ter mais argumentos para convencer os amigos, pais, irmãos. O Bozo e sua tropa foram ficando na defensiva diante do mar de gente que ganhava as ruas. Além do mais, as ruas sempre foram da esquerda, tomá-las é dever dos lutadores e dos revolucionários. Quando a extrema direita ocupa as ruas e ouve-se dizeres que a mobilização foi pouca e nem sequer estamos nelas mobilizados, é um caminho aberto ao que estamos vendo na atualidade. Se em política não existe espaço vazio, o vazio das ruas da esquerda é sua morte.

  12. Sempre dissemos: se Lula vencer, não governará. Agora estamos diante dessa situação. A fuga de Bozo do Brasil é o indicativo claro de que o caminho foi estudado tanto pelo comando no Brasil (PL) da extrema direita em unidade com o imperialismo americano. Para invadir qualquer país o imperialismo cria fatos, mas se tiver um meio fato, é ainda melhor para se mover em direção à invasão, tal como ocorreu na Venezuela.

  13. A derrota inesperada da extrema direita e do imperialismo em um país gigante como o Brasil, aliado a outros gigantes do BRICS que estão paulatinamente lhe assediando com o fim do dólar, qualquer mensagem atual que a esquerda possa dar ao povo é se preparar para resistir. Sabemos que alguns querem abrir os portões, porém é hora de se mirar no exemplo do segundo turno. Povo unido nas ruas, jamais será vencido.

  14. Reafirmamos aquilo que a Rosa de Luxemburgo viu um pouco antes do Nazi-Fascismo tomar a Alemanha sob os erros dos Sociais Democratas em festejar a república burguesa de Weimar. Socialismo ou Barbárie é o que estava colocado na Alemanha e é o que está colocado hoje para nós no Brasil e em toda a América Latina. O segundo turno dessa luta eleitoral foi como um instinto das massas do que poderia acontecer se não colocassem de vermelho e saíssem às ruas. A juventude despertada e mobilizada no segundo turno deve assim continuar, ela foi as forças contra o Bozo que viabilizaram as novas tarefas.

  15. A tarefa agora é continuar com forças nas ruas com a juventude contra o golpe. Não é hora de festa, mas sim de luta. A mobilização da juventude é o passaporte para as novas forças que virão do proletariado. Não vamos ser nesse governo agentes da direita, vamos às ruas e governar com um programa de um novo Brasil. Contra esse oportunismo da esquerda Lulista é que temos que nos munir e estar mobilizados contra os golpes que se anunciam.

  16. As novas tarefas são: as ruas para evitar o golpe da extrema direita aliada ao imperialismo e impedir que o oportunismo pós-eleitoral vingue.

– Abaixo o imperialismo

– Viva o Povo Brasileiro

Comitê Central do Partido Comunista do Povo Brasileiro

Brasil, outubro de 2026

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