Engana-se quem acha que trava uma luta individual. Tudo ao nosso redor é baseado em uma luta coletiva.
É fácil dizer que conquistou suas metas pela meritocracia quando, para isso, utilizou sistemas e meios que tornaram essas conquistas possíveis.
Engana-se também quem utiliza as conquistas e os direitos que nossos antepassados lutaram para garantir e, hoje, usa a sua trajetória para dizer que a meritocracia existe.
Nenhuma luta é individual. O capitalismo interfere na vida de todos nós, de todas as classes e de todas as raças. Até mesmo nossas lutas internas, nossos problemas pessoais, sofrem influência do sistema em que vivemos.
Nossa autoestima, nossa ansiedade, nossa saúde mental, a pressão por produtividade, a necessidade de sobreviver e a cobrança constante para sermos bem-sucedidos também atravessam a maneira como vivemos e nos enxergamos. Nossos valores estão entrelaçados com o capitalismo.
Vivemos em uma sociedade adoecida, e não podemos ignorar o quanto o sistema capitalista contribui para esse adoecimento.
Se nossas condições de existência são construídas coletivamente, por que insistimos em tratar nossas conquistas e nossos fracassos como se fossem exclusivamente individuais?
Portanto, quem pensa em votar na direita e acredita em meritocracia não só nega a si mesmo, mas também nega a sua própria humanidade. Vota no retrocesso sem perceber que muitas das oportunidades que teve ao longo da vida são frutos de lutas coletivas e de políticas públicas.
Esqueceu-se de que utilizou os programas do governo Lula para estar aqui hoje, seja por ter se formado em uma universidade, seja por ter comida no prato, seja por ter acesso a um sistema de saúde. É um indivíduo que acredita que a luta de classes não existe.
Camarada Felicia Franco

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