A Realidade Que Finge Ser Normal

Em 2012 denunciamos no artigo “Farsa Togada” que, com transmissão em HD pela mídia, instalou-se um verdadeiro tribunal de exceção para “julgar” o chamado mensalão. Já na época denunciávamos o caráter golpista das classes dominantes. No ano de 2013, ocorreu em todo o País, uma grande onda de manifestações em resposta a truculência da polícia militar paulista que reprimira de forma violenta e covarde uma manifestação pacífica de jovens, os quais reivindicavam contra o aumento abusivo das passagens do transporte coletivo. A repercussão entre a população do País inteiro foi de repúdio contra a ação da PM. Com o crescimento do movimento e a solidariedade da população frente aos manifestantes e contra a violência policial, a direita e a mídia golpista perceberam que poderiam canalizar as justas reivindicações da população para desestabilizar o governo federal e colocar em xeque o chamado Estado de Direito.

Com jargões como “o gigante acordou” e “a voz das ruas tem de ser ouvida”, a Rede Globo de Televisão produziu o programa Globo Repórter e uma edição inteira do Fantástico sobre a mobilização do Povo. A Rede Bandeirantes, além do noticiário, levou ao ar o programa Canal Livre, com Fernando Gabeira e o ex-presidente Fernando Henrique, que comemoravam o possível fim do governo Dilma e já faziam planos e prognósticos para o futuro.

Um outro jargão utilizado na época foi “o Brasil não será mais o mesmo”. Em 2016 o golpe se efetivou e o Brasil já não é mais o mesmo. Como afirmou Marx:

“Os homens sempre foram, em política, vítimas ingênuas do engano dos outros e do próprio e continuarão a sê-lo enquanto não aprendem a descobrir por trás de todas as frases, declarações e promessas morais, religiosas, políticas e sociais, os interesses de uma ou de outra classe. Os partidários de reformas e melhoramentos ver-se-ão sempre enganados pelos defensores do velho, enquanto não compreenderem que toda a instituição velha, por mais bárbara e apodrecida que pareça, se mantém pela força de umas ou de outras classes dominantes. E para vencer a resistência dessas classes só há um meio: encontrar na própria sociedade que nos rodeia, educar e organizar para a luta, os elementos que possam – e, pela sua situação social, devam– formar a força capaz de varrer o velho e criar o novo.”

Em janeiro de 2018, acompanhamos nas ruas de Porto Alegre, o “julgamento” do TRF4 acerca do processo movido pela “república de Curitiba” contra o ex presidente Lula: reação golpista absoluta, milhares de policiais civis, militares e federais, atiradores de elite (chamados de snipers), lanchas da marinha de guerra no rio Guaíba, helicópteros das forças armadas sobrevoando a capital gaúcha.

Quando Lula foi preso, em São Bernardo, expressamos publicamente que o movimento popular deveria ter uma resistência ativa. Fomos uma das primeiras organizações a cunhar a expressão “Lula livre”. Em dezembro de 2018, denunciamos em nosso artigo “Não é a Aparência é a Essência”, o golpe da eleição de Bolsonaro e a chancela do general Villas Boas a este golpe, mobilizando as forças armadas e ameaçando o STF. Também denunciamos neste artigo que o juiz Sérgio Moro havia influenciado diretamente no resultado das eleições, com vazamentos propositais e ilegais das declarações fajutas de Antônio Palocci.

Enquanto alguns se iludiram que o golpe tivesse acabado no processo eleitoral, como se os golpistas tivessem ido pra Marte, fincamos o pé no “Fora Bolsonaro”.

A política econômica neoliberal do governo Bolsonaro, agravada pela pandemia, rapidamente deteriorou as condições de vida do povo, o que temos denunciado firmemente na Tribuna Proletária. Em virtude do conteúdo de nossas avaliações, sofremos ataques, sendo taxados de esquerdistas, jacobinos, espartaquistas, mas estamos respaldados pela realidade, que tem confirmado a correção de nossa linha política. Não nos bastamos, necessitamos de todos os revolucionários, afirmamos isto com todo o rigor ideológico e prático, isto é, temos consciência que não basta contemplar a realidade, é necessário transformá-la.

Hoje, analisando o STF e as conversas da Vaza a Jato, vemos serem desnudas mais claramente o sistema judiciário brasileiro e também reveladas toda a safadeza, falcatrua e perversão dos que dizem lutar pela moralidade. Na mídia parece tudo normal.

Com a pandemia do covid-19, milhares de brasileiros estão morrendo por conta da imperícia, imprudência e negligência do governo Bolsonaro, sem que haja ainda um forte movimento para derrubá-lo. Como aceitar que pessoas morram por falta de oxigênio, cheguem no hospital caminhando e sejam devolvidos em sacos plásticos, sem que os familiares tenham certeza de que o corpo entregue é do seu ente querido? Há muita passividade como se natural fosse. Não é Natural! Não é normal! Precisamos agir para reverter essa situação.

A crise econômica tende a se aprofundar. Ou o Brasil avança para um Governo Popular e Revolucionário ou sucumbe à barbárie. É para essa encruzilhada que o Brasil caminha.

Pela Unidade da Esquerda Revolucionária!

Fora Bolsonaro!

Ousar Lutar, Ousar Vencer!

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