Quem dirige quem?

Dirigir, do ponto de vista político, significa compreender o movimento de forma mais aprofundada do que os seus aliados e, logicamente, do que os seus inimigos. Nesse sentido, a teoria é o elemento essencial. O nascimento do Marxismo é a compreensão do movimento do Capital, que carrega intrinsecamente o seu limite, sendo substituído historicamente por outro movimento mais avançado: o Socialismo. Por isso, até hoje a burguesia tentou de todas as formas produzir teorias que indicassem o erro no Marxismo, porém, como não conseguiu, inundou o mundo de mentiras, e preparou armas de extinção em massa para dar a sentença de morte àqueles que ousam agir sobre o ideal revolucionário.

De um lado, a ação prática das armas potentes, das mentiras, do Fascismo como política institucional imperialista para impedir qualquer ameaça contra o sistema. Do outro, o proletariado, aproveitando-se das contradições e das crises do Capital, que divide a burguesia nacional e internacionalmente, para fazer a roda da história avançar. Por isso, aparentemente, quem dirige parece ser a burguesia, pois o seu sistema econômico político ainda é o que na atualidade impera na sociedade humana. Mas, um sistema econômico político só pode exercer o domínio histórico quando a prática se funde com a teoria. No entanto, nem uma palavra de um burguês é possível levar a sério. O mundo tomado de “fake” não é problema da atualidade, impera há muito. Tornou-se mais popular agora por conta dos avanços técnicos dos meios de comunicação. E, quando do aparecimento da extrema direita no comando do Estado burguês, essas mentiras avançaram ainda mais, pelo fato de que a crise tornou-se insustentável e as mentiras são necessárias para manter uma mentira.

No Nazi fascismo, o ministro encarregado pela propaganda, Joseph Goebbels, diz uma frase histórica: “Diga uma mentira mil vezes que ela torna-se uma verdade”. E o fascismo é produto de uma classe mentirosa, mente por razões óbvias, perdeu historicamente a luta teórica para o Socialismo Científico. O atual presidente americano deu um depoimento dia 15/07, que, segundo ele, “está comprovado que o Comunismo e o Socialismo não dão certos”. É o máximo que a intelectualidade burguesa pode fazer, dizer bobagem, ao mesmo tempo em que ataca as nações socialistas, tenta por todos os meios desestabilizá-las, para demostrar que o Capital é a única forma de vida possível no planeta, e, portanto, devemos aceitar isso. Eis o produto da filosofia pragmática, isto é, o proletariado tem que se adequar ao existente, pois transformá-lo, segundo a burguesia, é impossível.

Quando Hitler pensou que estava no comando, que o Nazi fascismo era realmente uma teoria avançada e poderia levar a Alemanha ao topo do mundo, foi quando ele perdeu a cabeça. Quando ele próprio acreditou em sua mentira. O controle estava no Imperialismo americano, inglês, francês e inclusive no alemão que utilizava aquela teoria para unir e jogar uma nação contra o proletariado no mundo e contra o Socialismo na URSS. Isso não quer dizer que a burguesia alemã não objetivava ser o que é os EUA hoje. E se alcançasse tal objetivo, a própria burguesia alemã iria fazer o que os EUA fazem hoje, ser o representante “dos direitos universais e a polícia do mundo”, contra qualquer país que ousasse caminhar no rumo da Soberania ou do Socialismo, tal como faz a Alemanha hoje contra os países que domina. Hitler era dirigido por toda a burguesia imperialista. Se ele tinha noção disso ou não, não importa. De certa forma, ajudou imensamente com a derrota da URSS.

Bolsonaro pensa que comanda. Mas antes beijava a mão de Trump e agora lambe os sapatos de Biden. Mas a burguesia precisa dele e, portanto, de certa forma, comanda, pois ele despertou mais do que nunca, em uma camada bastante significativa, o sentimento fascista, antipobre, daquele que pode tudo, e do ódio contra a esquerda. É o Fascismo dependente que aos monopólios tudo pode, e a seu povo, migalhas. Bolsonaro, com o quadro em curso, deveria ter menos de 5% de apoiadores. Mas estes ainda veem nele como um governo ótimo, em torno de 25%, e regular mais 25%. Ora, isso nada mais é do que obra da própria burguesia golpista. Ela navega sobre a exploração extrema, da dádiva que talvez na atualidade nenhum país a comporta. É por essa razão que Bolsonaro se mantém. Mas Bolsonaro sempre se rebenta, quando ele acha que o comando é exclusivo dele, quando insulta a instituição dos outros poderes, daqueles que fazem parte do golpe. Se a burguesia golpista não o sustentasse, ele já teria caído há muito tempo. Ela só vai fazendo o esforço de aquietá-lo. Mostrar a ele que o golpe só pode ter viabilidade se eles se mantiverem minimamente unidos e mantiverem a esquerda e o povo submisso. No entanto essa viabilidade de unidade é o grande problema da burguesia em épocas de crise.

A crise política é produto da crise econômica. E sobre essa, a burguesia está de mãos atadas. Ela própria não consegue a unidade necessária para ela comandar como antes. Ficaria tudo mais fácil se eles sempre pudessem marchar de mãos dadas. Ora, se isso fosse verdadeiro, então o Marxismo estaria errado. Mas na sua luta interna, já que não é possível unir as partes, ela tenta atrair o proletariado a apoiar a sua luta, ou contra outra nação (no sentido de travar uma guerra), ou na defesa de sua democracia, reacendendo uma trama teórica mais velha do que nunca de que a democracia é afinal o que todos buscam, ou as duas coisas juntas, de forma a inviabilizar a própria luta política do proletariado.

É isso que está em jogo nessas épocas históricas. Quem comanda quem? Se o Imperialismo conseguir desviar o proletariado de sua luta de classe, neutralizando ou colocando a seu serviço, ela (a burguesia imperialista) segue com as mentiras de seu sistema por mais algumas décadas. A burguesia sempre tenta recompor a sua unidade, e consegue com maior facilidade se o proletariado não aparecer nessas épocas como uma classe independente. Por isso é preciso ousar, criar mais problemas para a sua unidade e impedir que o proletariado caia em suas armadilhas de amantes da democracia. Ela quer se livrar da crise tirando mil direitos dos trabalhadores (essa é a grande corrupção burguesa que ela própria nem comenta), e, assim que superar essa crise, dar continuidade da exploração “normal” da mais valia.

Dizer que há ou não forças para uma ação mais avançada, mais profunda, a luta terá que dizer. Mas no primeiro embate de tentativa de caminhar separadamente da burguesia e correr para debaixo de suas asas é muito estranho. Essa é uma atitude conciliadora, Social Democrata, medrosa, antipovo. Nessas épocas, é necessário esticar a corda ao máximo (dobrar a vara), ganhar terreno, se existe minimamente uma teoria revolucionária. E como o Marxismo já existe há quase mais de um século, a falta de teoria não é desculpa. E se a teoria de Partido Revolucionário (Marxista/Leninista) está atrasada, mais do que nunca é o momento de fortalecer suas bases na luta política e não em sua omissão. É o momento de dar visibilidade ao Socialismo, da luta anti-imperialista, de promover a defesa de um programa soberano e popular e unir as esquerdas, pois elas têm a capacidade de unir o povo e ampliá-la.

Dessa maneira, poderemos responder ou nos contrapor com o próprio veneno que a burguesia quer nos impor de “escolhermos” qual a forma que vamos optar para sair da crise, isto é, apoiando a guerra ou a sua esfarrapada tese de democracia como valor burguês. Para construir um caminho diferenciado, não é um convite para festa, em primeiro lugar, em segundo, é preciso ter vontade, por mais que ela não seja determinante, é necessária, sem ela a teoria só pode existir sob a égide da metafísica, do próprio movimento das ideias por si, e a ousadia e a vitória nunca se colocarão na prática. O único a vencer aqui é o idealismo.

Em síntese, o que temos que fazer é transformar a teoria política dirigente do Marxismo em força política dirigente prática, isto é, em Marxismo/Leninismo.

Fora Bolsonaro, Mourão e sua corja.

Abaixo o Fascismo.

Esquerda unida une o povo para a luta.

Ousar lutar, ousar vencer.

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