Iniciaram-se as campanhas eleitorais. Lula lança sua candidatura em São Bernardo do Campo (SP), “onde tudo começou”, em um comício repleto de militantes e simpatizantes. Fala sobre soberania, mas esquece que seu ministro da Defesa afirmou que abriria as porteiras para uma possível intervenção americana em território nacional.
Dos presidenciáveis, o lançamento da candidatura de Lula foi o que teve maior mobilização e repercussão.
Uma coisa é certa: embora as pesquisas não retratem toda a veracidade do pleito eleitoral, mostram uma tendência que dificilmente vai mudar: a polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro.
Lula, apoiado por diversos segmentos da burguesia e do campo popular, forma mais uma frente ampla, com setores da burguesia e elementos da esquerda liberal. Apoiado pelo presidente da Câmara dos Deputados Hugo Motta e, como Kassab afirmou: o centrão apoia Lula.
É uma eleição difícil de se posicionar. De um lado, o setor mais atrasado da sociedade, encampado na candidatura de Flávio Bolsonaro, com apoio do imperialismo estadunidense — este mesmo que novamente usa do tarifaço para impor dificuldades ao povo brasileiro e desgastar a candidatura de Lula, além de estar estudando novas sanções a membros da alta corte do país.
Do outro lado, temos Lula, um candidato que tem como lema de campanha a “defesa da soberania”, e já nem fala em acabar com a reforma da Previdência, ou mesmo com a reforma trabalhista. Deseduca o povo ao pedir que confiem nas instituições burguesas. Hoje faz parte do sistema, promoveu privatizações com o nome sutil de PPPs (Parcerias Público-Privadas). Na defesa da soberania, permite as participações em treinamentos do próprio Exército brasileiro com os norte-americanos, mantém o acordo da base de Alcântara, que inviabiliza qualquer tipo de engenharia reversa para o aprendizado tecnológico, como outras nações assim o fazem. Seu discurso está mais para um direitista: comprou a ideia de foco na luta contra o narcotráfico e, como consequência, o aumento da repressão. Sabemos que dele pouco se pode confiar; a cada auditório, ele elabora um discurso diferente, que certamente contradiz outros discursos. É um agente da burguesia, não tem um projeto de país, quem dirá um projeto emancipatório para a classe operária.
Quanto às campanhas da esquerda revolucionária, não há apelo, repercussão nem espaço no cenário nacional. São pequenas e drasticamente marginalizadas: não têm tempo na TV, não participam de debates com audiência e sofrem recorrentes represálias do Tribunal Eleitoral.
Diante desse quadro, resta organizar a classe operária e criar uma ferramenta capaz de mobilizar e disputar a consciência do proletariado. As eleições certamente impactarão a vida dos brasileiros — ou continua muito ruim com Lula, ou piora ainda mais com Flávio Bolsonaro. E isso deve ser colocado em pauta para uma tática imediata. O aumento da repressão na América Latina, sob governos de extrema direita, impõe maiores dificuldades organizativas à esquerda. Por outro lado, no Brasil, mesmo nos governos Lula, o que resultou da questão organizativa? A esquerda revolucionária segue fragmentada; e, mesmo sem repressão mais forte, também não teve — seja por incompetência, seja pela conjuntura — capacidade de crescer e tornar-se alternativa. Pelo contrário, viu a extrema direita crescer e ocupar o espaço vazio de “antissistema”.
As eleições vêm e vão, e de fato impactam a vida do povo, mas delas não têm surgido perspectivas para o proletariado. Tanto que a descrença no sistema só aumenta. A eleição, hoje, é um fator secundário para quem almeja mais que o simples “menos pior”. A tarefa central é construir um partido revolucionário, fruto da unidade das organizações revolucionárias. Para isso, precisamos ir de partido em partido, de organização em organização, convocando ao debate e à unidade, expondo nossas diferenças e sintetizando o que nos une: a luta pelo socialismo. Essa, sim, é a missão dos nossos dias: construir um partido revolucionário!

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