Precisamos construir o Partido

Precisamos construir o Partido

“Mas nenhum partido pode, sem cair no aventureirismo, planejar sua atividade com base na esperança de explosões sociais e complicações políticas. Nós devemos seguir a nossa estrada, desenvolver sem pausas o nosso trabalho sistemático e, quando menos esperarmos que surjam esses imprevistos, tanto maiores serão as possibilidades de não nos deixarmos pegar desprevenidos por nenhuma ‘reviravolta histórica’.” Por onde começar: V. I. Lenin

Estamos vivendo uma época em que até mesmo aqueles que dizem defender a revolução perderam a noção de Partido e ficaram presos à ilusão eleitoral — inclusive os que, eleitoralmente, não têm chance alguma. Os agrupamentos comunistas perderam o propósito revolucionário. 

O histórico das “frentes populares amplas”, que tem a simpatia do senso comum, passou a vigorar com pleno êxito para a burguesia. Perdemos a iniciativa do combate e passamos a ser dirigidos por uma ideia estranha ao proletariado, aceitando as regras e instituições burguesas e adotando o Estado de Direito burguês e a democracia burguesa como um degrau do Socialismo, a política eleitoral passou a ser o centro da política.

No meio dos trabalhadores sindicalizados, surgem com força as ideias reformistas que evitam a luta pelo poder político e a luta pela revolução; neles, a luta de classes é concebida sob um viés meramente economicista. 

Em nossa opinião, a existência do Partido Revolucionário não acontece de forma espontânea na Classe Operária. É um processo dirigido por revolucionários profissionais, dedicados às tarefas da revolução, integrando e reagrupando as revoltas e os movimentos de protesto e resistência, buscando lutadores espontâneos, locais ou setoriais.   

Procuramos sempre elevar as lutas a um nível político mais alto, contra o aparato de Estado burguês, fomentando a convicção de que o Partido Revolucionário é um partido de combate. Ele tem, na razão de sua existência, a preparação da revolução, educando o proletariado nos atritos com a burguesia, preparando a classe para a crise revolucionária, ajudando a criá-la e dirigindo as massas contra o aparato repressor. 

A consciência de classe surge nos enfrentamentos com a burguesia; através dessas lutas, o proletariado avança até a compreensão de seus interesses de classe mais gerais. A ação da vanguarda deve elevar o proletariado à condição de classe revolucionária.  

Vivemos um período de descenso da Luta Revolucionária, no qual as derrotas e a propaganda anticomunista da burguesia procuram generalizar a confusão. A propaganda faz a extrema-direita parecer “antissistema”. Incutem nos trabalhadores que defender as instituições burguesas é uma tarefa democrática, conferindo-lhes até um verniz revolucionário. O fascismo brota em todos os cantos do regime político. Divulgam, entre as massas, que o caminho revolucionário fracassou e que o capitalismo é o melhor sistema político e econômico. Tudo isso gera ceticismo e dispersa os militantes, fazendo com que muitos abandonem a luta. A situação do proletariado é tão complexa que somente no processo da revolução — com a mobilização intensificada pela crise revolucionária — é que os oprimidos conseguem se libertar da ideologia burguesa, dominante até então.  

A situação atual é transitória. O imperialismo norte-americano, em crise, fomenta guerras e tenta subjugar os povos: ataca a Venezuela e sequestra seu presidente; ataca o Irã, que tem resistido bravamente; bloqueia econômica e militarmente Cuba e ameaça com intervenção. A resposta do governo Lula e do PT é uma frente eleitoral ampla, o “todos contra o fascismo”, apesar de a história demonstrar que essa política fortalece o fascismo. 

É necessária uma guinada à esquerda que tenha um projeto soberano para nosso país: estatizar o que foi privatizado, devolver os direitos retirados dos trabalhadores e realizar reformas na estrutura do Estado brasileiro, além das reformas urbana e agrária. Devemos tratar a luta contra os fascistas como parte da luta contra a democracia burguesa, visando à construção da democracia dos trabalhadores. Mas, como o próprio Lula disse, ele não é um revolucionário; seu governo serve para administrar os negócios da burguesia — uma forma mais branda de se submeter às demandas do grande capital. 

Contudo, o movimento revolucionário não pode ser contido por muito tempo. Somente a luta política é capaz de produzir a confiança da classe revolucionária em suas próprias forças, mantendo o nível de militância e de confiança revolucionária, preparando novos tempos com o vigor do proletariado. 

Sabemos do nosso tamanho; sabemos que ainda somos pequenos e que a tarefa a que nos propomos é gigantesca: criar um Partido Revolucionário. Mas nossa tarefa é do tamanho dos nossos sonhos, gigante como o Brasil-continente. 

Diante da crise do capitalismo e do imperialismo, que levam a humanidade aos horrores da guerra, fica clara a necessidade da revolução e do socialismo. A vanguarda consciente de sua estratégia e de seus objetivos consegue arrastar amplas massas. Por isso, buscamos em todos os rincões; partidos, agrupamentos e lutadores que desejam um mundo diferente do que a burguesia nos impõe — sem dogmatismos e as ilusões que deles derivam. Um Partido vivo, com amplos debates, com o centralismo democrático e unidade na ação. 

> Contra o imperialismo e a guerra!

> Pela unidade dos Revolucionários!

> Viva o Partido Comunista do Povo Brasileiro! 

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