A Armadilha se Repete

Estamos próximos do início do período eleitoral, marcado por derrotas do governo Lula. Mesmo com todas as tratativas, a mobilização da extrema direita no Congresso barrou a indicação de Jorge Messias ao posto de ministro do STF, algo que não acontecia desde o século XIX. Posteriormente, em algo que já estava alinhado e era de conhecimento do governo, o parlamento derrubou o veto ao PL da Dosimetria. Assim como aconteceu com a primeira derrota, esta se tornou ainda mais acachapante. O centrão, que antes aceitava negociar com o governo, encerrou as tratativas e inclinou-se a apoiar mais abertamente a candidatura da extrema direita de Flávio Bolsonaro.

Lula, em seu terceiro mandato, não deslanchou. Carregou um projeto liberal e abdicou da mobilização popular, caminhando para uma provável derrota. Esse é o atual quadro eleitoral.

O campo revolucionário — como PCB, PCO, PSTU e UP — vai entrar na disputa para marcar posição, mas sem que essas mesmas posições sejam ecoadas no proletariado. Isso se deve às regras antidemocráticas do Estado burguês, que não permitem que esses partidos participem de debates com audiência, nem tenham tempo de televisão, além da ausência de condições econômicas para prover materiais de campanha e fazê-los circular nos meios da classe operária.

O avanço da extrema direita é uma realidade que teremos que enfrentar. As limitações do campo revolucionário também temos que colocar na análise, assim como a resistência do PT em fazer uma inclinação à esquerda. Por mais que Lula, em momentos muito curtos e em auditórios muito restritos, faça falas de embate, sua vida — principalmente após 2002 — é marcada pela concessão e pelo não enfrentamento às elites. Isso tem que entrar na análise.

Os partidos comunistas fragmentados entram em um embate para marcar posição, como já fizeram em todos os outros processos eleitorais até aqui. Repetem a mesma tática na ilusão de que talvez um dia tenham um salto qualitativo. Não propõem uma plataforma de unidade do campo fragmentado. A isso sabemos o resultado: será o mesmo de dois anos atrás e de quatro anos atrás. Apenas validam o processo eleitoral burguês e não ampliam em nada. Não ocorre o desejado acúmulo de forças. Não é entre fascismo x democracia burguesa que devemos desenvolver a formulação da tática dos revolucionários, nem da crítica pela crítica, mas sim com base em perspectivas de acúmulo de forças. E não na base da oposição pela oposição, mas na formulação de um plano que no mundo real colha frutos. Nisso, a esquerda revolucionária, enquanto estiver cada um no seu próprio círculo, estará distante.

Estamos no período em que anos se passam em dias. O que está em jogo no Brasil é a possibilidade de uma destruição econômica semelhante à implementada por Milei na Argentina, fazendo com que o proletariado pague ainda mais pela crise da burguesia. O endurecimento das leis — como vem ocorrendo, inclusive com Lula sancionando essas medidas — representa a ampliação dos dispositivos repressivos que atuarão para garantir o projeto destrutivo que está por vir.

Aos comunistas, cabe nesse período pré-eleitoral ampliar a unidade dos revolucionários. A provável derrota eleitoral de Lula vai trazer mais dificuldades para a classe operária brasileira, que se encontra há muito tempo órfã de uma organização à altura, que consiga organizar a luta do proletariado por dias melhores, que ponha no debate a luta pela tomada do poder e pela construção do socialismo. Os pessimistas vão dizer: “Mas nem estamos num período revolucionário”. Aos ditos leninistas, respondo com Lênin: é nesses momentos que temos que formar unidade e partido, porque, se eventualmente chegarmos a uma explosão social, sabemos que a esquerda revolucionária não se encontra, no momento, à altura de dirigir as grandes massas deste país.

 

Pela unidade dos revolucionários!

 

Rodrigo Lima

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