ADAPTAÇÃO NÃO É EMANCIPAÇÃO

O indivíduo da classe oprimida pode se “ajustar” ao sistema capitalista: exploração, jornadas exaustivas de trabalho, pressão por produtividade e competição, e pode, até mesmo, alcançar “sucesso” dentro dessa estrutura.

Entretanto, o indivíduo reage ante isso reduzindo as suas qualidades intelectuais e morais.

Para Marx, o capitalismo não é compreendido apenas como um sistema econômico, mas como uma organização social da produção: marcada pela relação entre quem detém os meios de produção e quem precisa vender a sua mão de obra. É uma necessidade estrutural para a classe trabalhadora se ajustar a essa condição – o que não significa que a sociedade esteja bem definida e de acordo com a própria natureza (capacidades criativas, intelectuais, sociais, etc.).

A alienação, para Marx, mostra como o capitalismo pode afetar o trabalhador, envolvendo a relação do trabalhador com o produto do seu trabalho, com as suas capacidades humanas e com outros trabalhadores. Afasta o trabalhador do controle sobre a sua atividade, sobre o produto que produz.

Diante disso, afirmar que o sistema capitalista deu certo é ignorar as consequências à sociedade, à natureza e à classe trabalhadora.

Além do mais, conquistar direitos trabalhistas (bem como a recente conquista representada pela aprovação da PEC do fim da escala 6×1) não significa necessariamente superar as relações sociais que estruturam o capitalismo. É um avanço da classe operária, mas não nos enganemos: ainda não é a emancipação do proletariado.

A aprovação do fim da 6×1 é uma vitória concreta, mas ainda há muito mais a ser feito. A organização sindical, as mobilizações coletivas e a luta pelos direitos fortalecem as nossas reivindicações. Entretanto, as relações de propriedade, o controle sobre a produção e a organização do poder econômico ainda permanecem sob as rédeas do capitalismo. Nós, marxistas, não queremos medidas que apenas estabilizem as relações sociais e administrem o conflito entre capital e trabalho, mas sim uma emancipação da classe operária.

As conquistas trabalhistas são fruto da nossa luta. Mas há muito mais a conquistar. A população brasileira precisa reconhecer sua força diante do sistema que a oprime.

Camarada Felicia Franco

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