O fascismo avança no Brasil pela via eleitoral. Mesmo após a tentativa fracassada de golpe em 8 de janeiro de 2023, o embate travado no Supremo Tribunal Federal e toda a repressão que a extrema direita recebeu — com generais e sua principal liderança presos —, isso não foi impeditivo para que a ideia atrasada se disseminasse na população e agora coloque em xeque o sistema político. A frente ampla de Lula, com grandes concessões à direita tradicional, foi — e como deveria de ser — ineficiente para barrar o fascismo, porque só com luta e radicalidade pode avançar a consciência do povo.
A ascensão da extrema direita consolidada no primeiro turno eleitoral representa um perigo iminente à classe operária. Tempos difíceis e de muita luta estão por vir. A derrota de Lula e da esquerda não é por acaso: há uma construção para esse resultado. As mudanças que o povo esperava não vieram; não ocorreu nenhum processo de lutas ou reformas dentro ou fora do sistema que colocasse a classe operária como protagonista em uma perspectiva emancipatória. Neste período, o movimento sindical se afastou de suas categorias, assistiu de perto à reforma trabalhista e à reforma previdenciária sem conseguir eclodir uma greve que fizesse a burguesia tremer. E, sem luta, a classe não adquire consciência.
Essa derrota não é apenas da esquerda liberal e da direita tradicional, mas também da esquerda revolucionária, que não consegue — nem somando todos os seus candidatos — chegar a 1% dos votos, mostrando o quão distante está do proletariado, vinculada à pequena burguesia e presa ao identitarismo sectário que afasta o operariado. A ausência da leitura da realidade desse segmento impossibilita mostrar o óbvio: sem unidade da esquerda revolucionária, a condição de organização dessas pequenas agremiações não terá saltos qualitativos. Nem em tempos em que não havia a extrema direita eles conseguiram ocupar o espaço de antissistema; hoje, com o avanço do setor mais atrasado, a repressão e as dificuldades aumentarão.
Não é tempo de lamentação, é tempo de aprendizado e de mobilização: ir às ruas e trabalhar para um grande movimento de massas, aproveitar que há o segundo turno e assumir que Lula é uma trincheira de mobilização, disputar a consciência do proletariado, unir a esquerda para que ela tenha condições de fazer um enfrentamento com capacidade de mobilizar greves e apresentar uma perspectiva de luta.
A história não se repete, embora eventos apareçam novamente com características similares, representados ou como farsa ou como tragédia, porque as condições objetivas e subjetivas se alteram. Mas, dito isso, nada impede de fazermos analogia a eventos similares. No início da República de Weimar, na Alemanha, após a Primeira Guerra, os nazistas tentaram dar um golpe militar, marcharam sobre a capital e foram presos. A social-democracia alemã não conseguiu — fruto das crises e das sanções pós-Primeira Guerra — um bem-estar social que o povo alemão esperava. Um período de muita frustração. O partido comunista crescia, mas com suas debilidades, fruto da repressão desencadeada no pós-guerra e com a morte de dois importantes dirigentes: Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht.
Do caminho antissistema, duas correntes se enfrentavam: os nazistas e os comunistas. E não foi pela via ilegal que o nazifascismo ascendeu no parlamento. Hitler foi convidado a se tornar chanceler. Dado o acúmulo de força e o ato do incêndio do Reichstag — o parlamento alemão —, Hitler, com o partido nazista, dá um golpe de Estado e propaga uma repressão terrível à esquerda, consolidando o nazifascismo na Alemanha.
Essa analogia serve para recordar que estamos à beira de um golpe. Se vai acontecer ou não, só a história dirá. Porém, a tarefa dos revolucionários é se preparar para todos os cenários. Por isso é importante encabeçar a campanha de Lula no segundo turno. Como dizia Marx, não importa a ideia que façam do indivíduo, nem a ideia do indivíduo sobre si mesmo, e sim o papel que cumpre na luta de classes. Hoje, Lula consegue mobilizar as massas desse país. É preciso aproveitar esse papel e botar o bloco na rua para nos prepararmos para o embate. A esquerda vivenciou muito tempo na legalidade e está desacostumada com a possibilidade de que essa luta tenha que ser travada por todas as vias possíveis.
No passado, foi criada a ALN, período de tiroteio da esquerda contra os fascistas do movimento integralista. Hoje ainda somos muito aquém do que a realidade exige, mas precisamos primeiro criar uma plataforma de luta que promova a unidade da esquerda revolucionária, que amplie com segmentos progressistas e que possibilite disputar a consciência do proletariado e adquirir a força material para derrotar a extrema direita. O caminho é duro, mas só na luta é possível construir o caminho da vitória.
Pela unidade da esquerda revolucionária!
Abaixo o fascismo!
Lula presidente!

Faça um comentário