O poder das ruas e a luta para permanecer nelas!

A vitória eleitoral de Lula, depois de uma derrota no primeiro turno — somada ao aumento de governadores e à maior bancada da extrema-direita até então, foi uma vitória importante para frear o fascismo no Brasil. Formou-se um cenário, no primeiro turno que muitos consideravam até irreversível; no entanto, as ruas mostraram mais uma vez seu poder de transformação, sendo fundamentais para disputar e elevar a consciência do proletariado. A grande mobilização do segundo turno surge como algo espontâneo, fruto do medo do que poderia vir com uma possível vitória do fascismo encabeçado por Flávio Bolsonaro, mobilizou a juventude, os sindicatos e os mais diversos partidos e agremiações, que tomaram conta das ruas no Brasil, garantiram o tetra do presidente Lula e, mais do que isso, deram uma sobrevida à esquerda, que minguou no parlamento e, em todo esse mandato de Lula, não conseguiu emergir nas ruas como fez nesse segundo turno.

A situação nacional não está em paz. Embora, no pós-eleição, a ressaca da vitória traga uma leve calmaria, os aguapés não estão parados: o imperialismo já lançou suspeitas sobre a eleição, ainda não reconhecendo de maneira formal o resultado eleitoral, e o mercado atuou na queda do Ibovespa, que resultou no circuit breaker, mostrando que esse segmento estava em sintonia com o candidato derrotado e é mais um adversário do futuro mandato que está por ser construído.

O fascismo não acabou; sofreu uma derrota. A extrema direita com suas raízes conspiratórias, não vão parar de tentar derrubar o presidente eleito e frear qualquer avanço de pautas progressistas no Congresso.

À esquerda revolucionária cabe o papel de mobilizar e unir os revolucionários na construção de uma plataforma que dê a esses movimentos espontâneos um caráter consciente e revolucionário; aproveitar que a degradação do sistema político não foi restaurada com a vitória de Lula, embora os planos golpistas tenham sido retardados. Mas, no capitalismo em profunda crise econômica, em meio a uma revolução tecnológica que afeta e afetará ainda mais as contradições, com toda a corrida bélica e os profundos conflitos na Europa e no Oriente Médio, e com a ascensão da extrema-direita no mundo, o futuro não se resume a fascismo versus democracia, e sim a socialismo ou barbárie. Ainda assim, o movimento revolucionário está muito aquém do que a realidade exige, mas estamos numa realidade propícia a saltos; porém, até mesmo para saltos é preciso trabalhar com clareza e sabendo das limitações. Sem a unidade da esquerda revolucionária, a classe operária permanece refém de uma esquerda reformista, para a qual cada vitória é apenas uma sobrevida, sem que a burguesia seja afetada, porque reformismo não ousa mexer no Estado, na propriedade, e não consegue apresentar perspectiva de romper com esse sistema falido; muito pelo contrário, parcelas da pequena burguesia e o próprio fascismo são parte do sistema.

É preciso manter e ampliar as mobilizações nas ruas. A esquerda revolucionária, além de botar o bloco na rua, tem de disputar o comando do movimento. A classe operária necessita construir uma organização que consiga apresentar uma perspectiva emancipatória, que coloque a defesa do socialismo como questão estratégica e que não se contente com migalhas. Para isso, é preciso muito trabalho e unidade do setor revolucionário!

Pela continuação das mobilizações!

Em defesa da unidade dos revolucionários!

Viva a luta pelo socialismo!

 

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